terça-feira, dezembro 29, 2009

Sargaço-mar


( Das histórias que nos contam na cama, antes da'gente ir dormir )

Que se deve esquecer fulano; gostar de beltrano.
Se deve ser mais maduro; ter um cachorro.
Que se deve gostar de vermelho.
Se deve plantar uma árvore; crer no horóscopo.
Se deve ter mais amigos.
Se deve Fazer; Ter; Querer; Comprar; Ser, compulsivamente.
Se deve pertencer a algum estamento; alistar-se no exército;
Não esquecer de apagar a luz; de manter a família e não distrair-se nunca.
E minha poesia em pó solúvel? Quando sobra espaço pra ela?

( São coisas que nos contam, todas as vezes que ligamos a tevê )

Sabe quando temos a sensação de que já não sobrou nada do que antes era considerado essencial? Quando parece que tudo se dissipou com a chuva? Se teve uma coisa que aprendi, foi que só estamos realmente livres para nos entregarmos verdadeiramente a algo quando parece não sobrar nada ao nosso redor. Quando falta o que dizer e sobra o que deveria faltar.

( Aliás, esqueci de anotar teus recados, mas, foi só por hoje )

domingo, dezembro 13, 2009

Quando tecias quem somos hoje

Aqueles olhos. Ela tinha algo singular no olhar. Uma cadência que nos remete aos dias de sol; aconchego de família com aroma de romance destilado.
Depois de um relance, pensei: 'Sim, mas, como não a conheci antes?'
Ela observa minha apreensão, dá de ombros e bebe um pouco mais.
- Você estava esperando.
A conclusão desse indício de pensamento é que sempre me intriga.
- Esperando o quê, exatamente? - eu prosseguia, esperando que ela não desviasse a linha daquela conversa.
Tomava a xícara de café às mãos, ensaiava alguns goles e me rebatia com aqueles olhos que só necessitavam de três segundos para instigar e persuadir qualquer ser sobre essa terra.
Era nesse instante despercebido que eu mordia o lábio, aflito por mais respostas - ainda que fossem irrelevantes.
- Esperando o momento certo para aprender o real significado do sentimento mais nobre que alguém pode devotar a outro. Ou talvez, simplesmente estivesse esperando para dividir-se em alguém.

Ah, e eu te adoro ainda mais quando fingis me ignorar e persiste nessa busca vaga.
Te ligar, te ligar e não ser respondido.
Nesse breve espaço de tempo compreendo do que falavas.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Uma declaração (in)apropriada


Um dia disseram-me que o que uma pessoa faz de melhor, costuma ser feito em breves lapsos de sobriedade.
Sabe quando você quer dizer a um velho amigo o quanto sente falta da sua presença e simplesmente se perde pelo caminho? Ou quando tenta deixar no ar o quanto um simples gesto Daquela pessoa te põe imensamente feliz e justamente aí, não encontra as melhores expressões? Engraçado essas coisas, não? Há tanto sentimento a ser tecido que meras palavras não comportam sua densidade. É como se estivesse tentando colocar letra a uma melodia que ouço e assimilo, mas, que não faço ideia de como transpor.

São aquelas borboletas que te trazem alegria por estar vivo e contemplar o sol lá fora, mesmo que aqui dentro esteja um completo caos.
É dizer ' bom dia' e saber que independente de como as coisas transcorram, há outro ser esperando para redigir suas escolhas às tuas.

O verbo da vez é Agradecer. Agradecer e contemplar. Porque muito embora haja dificuldades, tenho estado plena em todos os sentidos graças à cadência branda - e ao mesmo tempo bela, da afinidade compartilhada.

Enfim, queria apenas que alguém soubesse quanto orgulho cultivo por compartilhar a vida com um ser tão Fabuloso - em ambos os sentidos, pra não perder o trocadalho- quanto ele.
Aprendi a admirar cada uma das suas conquistas pessoais, principalmente como ele parece criar asas sobre uma dificuldade e sobrevoá-la, sutilmente.
'Please, please me. Like I please You.'



(N/A: caso alguém suspeite do meu espírito sentimental, diga que foi a chegada do Natal,
pois um beijo.)