Amanhã estarei indo à Paris. Sei que você vai acabar partindo daqui, mas, não se esqueça que te mandarei cartas. Longas cartas escritas no tempo mais criativo do meu dia; talvez sejam muitas, talvez apenas meras linhas mal traçadas ou singelas palavras avulsas com o poder de deixar-te um gosto amargo na boca, 'mas não me queixo. O amor que sinto pelos outros quase sempre é suficiente, não precisa nem ter volta. ' É mais fortificante para mim alimentar esse impulso inexplicável que lutar para que ele seja recíproco.
Sei lá, acho que em algum momento tive a oportunidade de seguir outro caminho, mas, talvez nesse outro caminho não fosse possível deixar tantas marcas como no escolhido.
Muitas vezes me detive pela aurora, já a dizer para mim mesma que aquela não era a vida, aqueles não seriam os seres que deveriam estar lá por mim, quiçá nem aquele astro no céu fosse verídico, ao mesmo instante, alguém, um distinto alguém conseguia elevar meu olhar aos campos e recriar a esperança; a esperança que corrói, que te faz manter-se firme numa luta teoricamente perdida e te inebria os sentidos tornando-te mais um bobo dentre tantos outros, contudo, também é sobre essa mesma esperança que falo quando digo que foi ela que manteve meus sonhos vivos para que pudesse tomar minha xícara de café ao anoitecer.
'Corro, nego e ainda minto, mas, um dia eu encontro e quando encontrar, ai de ti, ai de ti que estiver por perto.'
sábado, junho 27, 2009
terça-feira, junho 23, 2009
Inverno
"Você diz que eu te assusto
Você diz que eu te desvio
Que eu não tenho salvação
Você diz que eu, simplesmente,
Sou carente de razão.
Você diz que eu te envergonho
Também diz que eu sou cruel
Que no teatro do teu sonho
Para mim não tem papel.
Você não tem medo de mim...
Você tem medo, é de você
Você tem medo, é de querer...
Amar"
Você diz que eu te desvio
Que eu não tenho salvação
Você diz que eu, simplesmente,
Sou carente de razão.
Você diz que eu te envergonho
Também diz que eu sou cruel
Que no teatro do teu sonho
Para mim não tem papel.
Você não tem medo de mim...
Você tem medo, é de você
Você tem medo, é de querer...
Amar"
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inverno
terça-feira, junho 09, 2009
A sensação de perenidade das coisas do mundo é algo que nos torna incrivelmente contraditórios. Por vezes, renunciamos a coisas e pessoas mesmo sabendo que num futuro próximo teremos a intenção de cancelar aquelas palavras previamente mencionadas. Como um grande círculo de brilho inebriante, a lua ou o destino - que previamente lançamos - nos guia pela janela, enquanto ficamos a confabular sobre uns dos tantos episódios ' das brigas que perdemos ' e nunca conseguimos esquecer.
Perder-se nesses devaneios só tem como consequência final uma tremenda saudade do que poderia ter sido e não foi.
Poeira Lunar
Você chegou a mim e disse algumas palavras que não pude compreender já que estávamos em meio a todo aquele caos, mas, uma coisa eu posso afirmar: Houve luz; naquele relance de olhar houve mais luz que qualquer outro momento do qual tenha recordação.
- Por que falar sobre o que não se acredita?
Deixou-se cair sobre meus braços de um modo inconsequente, como alguém que só procura uma saída, um momento para tornar aquele ato remediável.
- Qual é a maneira mais simples de partir?
- Não há opções, fazemos nossas escolhas e em conseqüência, elas nos fazem.
Era uma manhã úmida, o céu estava escuro e todo o seu casaco estava coberto de neblina. Tudo o que ela procurava lhe havia sido entregue no decorrer de oito meses e por ironia do destino – ou apenas para deixar evidente a não ligação entre os indivíduos e a relação da oitava infinita, nesse mês algumas mudanças voluntárias ocorreriam.
- Sabe por que as coisas não ficaram apenas contidas no universo de início e meio – desembocando num final?
-Porque você simplesmente nunca aprendeu a distinguir o que é realidade e todo o resto criado no seu universo utópico. As pessoas são especiais quando elas querem, mas, conseguem ser melhores quando não tentam ser tão boas assim, se é que você ainda me entende. Eu só quero que tenhas um momento próprio para tornar-se menos imaturo, mais individualista, só quero te dar ares e provar a ti que não há como ser verdadeiro com alguém se você vive encobrindo a verdade da própria face. Quero que a vida te ensine que as coisas mais difíceis aprender são perdoar, ter fé e principalmente acreditar, e que todas as outras são apenas consequências dessas.
- Tudo se dissipou de um modo inexplicável para mim.
- Foste tu que me ensinaste que tudo deve ter início, desenvolvimento e algumas vezes, quando realmente valem à pena, tornar-se poeira lunar. Ah, e quanto ao modo de fazê-lo, bem, só há um: ‘Go out.’ Você apenas se vai.
- E se houvesse uma possibilidade da continuidade infinita? Se houvesse a mínima relação entre o 8º mês e os indivíduos?
- Desse modo, você simplesmente não iria; - mas, não é o caso.
Perder-se nesses devaneios só tem como consequência final uma tremenda saudade do que poderia ter sido e não foi.
Poeira Lunar
Você chegou a mim e disse algumas palavras que não pude compreender já que estávamos em meio a todo aquele caos, mas, uma coisa eu posso afirmar: Houve luz; naquele relance de olhar houve mais luz que qualquer outro momento do qual tenha recordação.
- Por que falar sobre o que não se acredita?
Deixou-se cair sobre meus braços de um modo inconsequente, como alguém que só procura uma saída, um momento para tornar aquele ato remediável.
- Qual é a maneira mais simples de partir?
- Não há opções, fazemos nossas escolhas e em conseqüência, elas nos fazem.
Era uma manhã úmida, o céu estava escuro e todo o seu casaco estava coberto de neblina. Tudo o que ela procurava lhe havia sido entregue no decorrer de oito meses e por ironia do destino – ou apenas para deixar evidente a não ligação entre os indivíduos e a relação da oitava infinita, nesse mês algumas mudanças voluntárias ocorreriam.
- Sabe por que as coisas não ficaram apenas contidas no universo de início e meio – desembocando num final?
-Porque você simplesmente nunca aprendeu a distinguir o que é realidade e todo o resto criado no seu universo utópico. As pessoas são especiais quando elas querem, mas, conseguem ser melhores quando não tentam ser tão boas assim, se é que você ainda me entende. Eu só quero que tenhas um momento próprio para tornar-se menos imaturo, mais individualista, só quero te dar ares e provar a ti que não há como ser verdadeiro com alguém se você vive encobrindo a verdade da própria face. Quero que a vida te ensine que as coisas mais difíceis aprender são perdoar, ter fé e principalmente acreditar, e que todas as outras são apenas consequências dessas.
- Tudo se dissipou de um modo inexplicável para mim.
- Foste tu que me ensinaste que tudo deve ter início, desenvolvimento e algumas vezes, quando realmente valem à pena, tornar-se poeira lunar. Ah, e quanto ao modo de fazê-lo, bem, só há um: ‘Go out.’ Você apenas se vai.
- E se houvesse uma possibilidade da continuidade infinita? Se houvesse a mínima relação entre o 8º mês e os indivíduos?
- Desse modo, você simplesmente não iria; - mas, não é o caso.
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